
Vista parcial da cidade de Cabreúva | Foto: Prefeitura de Cabreúva
Por Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino
A ocupação do território da cidade de Cabreúva remonta ao período pré-colonial, quando a extensa área do interior paulista entre a Serra do Japi e o Vale do Rio Tietê era ocupada por indígenas guarani e carijó que estabeleceram os caminhos e a tipologia dos lugares: Cabreúva, é o nome de uma árvore abundante na região que em tupi significa árvore da coruja, por ser abrigo do animal. Os antigos caminhos indígenas, às margens do Tietê também foram utilizados pelas Bandeiras que seguiam de São Paulo e de Santana de Parnaíba em direção ao Porto de Araritaguaba, em Porto Feliz.
A ocupação do território por colonizadores ocorreu no final da década de 1780, com a expansão da lavoura canavieira de Itu pelas colinas do Vale Médio do Tietê, estabelecendo entre as regiões dos bairros Apotribu e Guaxatuba os pioneiros engenhos de cana-de-açúcar, incentivados pela política do Morgado de Matheus. Famílias das vizinhas Araçariguama, Jundiaí e Santana de Parnaíba, como os Silveiras, se estabeleceram em terras próximas a Serra do Japi nas propriedades açucareiras.
Na área que se tornou a região do primeiro núcleo urbano, na saída para Pirapora do Bom Jesus, próximo ao ribeirão Cabreúva no mesmo período da chegada das primeiras famílias, construiu-se uma primitiva capela, devotada à Nossa Senhora da Piedade mais tarde conhecida por Capela de São Benedito, frequentada pela população dos diversos engenhos da região.
A atual cidade de Cabreúva teve seus limites estabelecidos após a criação da Freguesia do mesmo nome, por decreto imperial de 09 de dezembro de 1830 juntando territórios antes pertencentes as cidades de Jundiaí, Santana de Parnaíba, Araçariguama e Itu. Esse fato se deu sobretudo às ações de um Padre ituano, cuja família era proprietária de engenho de cana-de-açúcar no local, chamado José Rodrigues Castanho, que além de proprietário de engenho, se tornou o primeiro vigário e o primeiro juiz de Paz da localidade, que contava então com 2.368 habitantes. É importante ressaltar aqui a presença desde seu início da população escravizada que deixou marcas importantes na cidade, como na música, culinária e na expansão da lavoura canavieira e cafeeira posteriormente.
A Emancipação do município ocorreu em 24 de março de 1859, quando os engenhos de cana-de-açúcar já começavam a disputar terras com o café e novas fazendas surgiam ou se expandiam, como nas áreas do Pinhal, Jacaré, Cururu, Caí e Bonfim. Mais uma vez, um ituano se tornou central no processo de formação político da cidade: O Comendador Martins, que em 1844, adquiriu o Sítio Guaxatuba, se fixando em Cabreúva definitivamente em 1849. Foi organizador da Comissão para as obras de construção da Nova Igreja Matriz (atual), angariando verbas provinciais e projetou o traçado urbano em torno do Largo da Matriz (atual praça), onde construiu sua residência.
Dez anos após sua chegada, a freguesia emancipou-se e após a eleição, o Comendador Martins tornou-se o primeiro Prefeito da Cidade de Cabreúva; embora seu mandato tenha sido curto, de apenas 01 ano, sua influência política permaneceu por meio de seus filhos, genro e netos, nas três décadas finais do Império e por todo o período da Primeira República.
A partir de 1870 as grandes propriedades cafeeiras nas áreas dos bairros do Jacaré, Cururu, Pinhal, Bonfim e Caí começam a receber imigrantes, sobretudo italianos e no início do século XX, japoneses. A agricultura torna-se variada com o cultivo de hortaliças e frutas, além do café, e as grandes fazendas deram lugar à sítios e loteamentos urbanos. Duas rodovias marcaram a paisagem e a mobilidade dos munícipes: A rodovia SP 312, inaugurada em 01 de maio de 1922, por Whashington Luís, dentro de um plano viário de estrada ligando São Paulo à Mato Grosso, facilitou a ligação da região central da cidade com Itu.
E mais recentemente, a Rodovia Marechal Rondon, atual trecho D. Gabriel Paulino Bueno Couto, que facilitou as áreas mais recentes de ocupação a se ligarem à Jundiaí e à São Paulo e trouxe novos moradores à cidade, sobretudo migrantes nordestinos. Atualmente esse trecho da Rodovia é responsável pelo crescimento urbano e pela industrialização do município.
Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino é Mestranda em Ensino de História no IFCH/Unicamp, pós-graduada em gestão cultural: Cultura, desenvolvimento e mercado no Senac, graduada em História e autora de: A escravidão em Cabreúva no século XIX – 1830-1888 e atualmente professora efetiva da rede estadual paulista de ensino.
