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Instrumentos de metal

Por Fábio Flatschart

Os instrumentos de metal são a artilharia pesada de uma banda ! Trompetes, trombones, bombardinos, trompas, saxhorns entre outros, dão conta da melodia, da harmonia e da linha do baixo.

Apesar das especificidades de formatos e tamanhos e afinações todos eles tem o mesmo princípio de funcionamento.

Acústica

Os principais elementos dos instrumentos de metal são uma bocal em forma de funil, um tubo e uma campana.

O ar soprado por entre o movimento vibratório dos lábios gera um fluxo de ondas dentro do tubo do instrumento produzindo o som.

Ao alterar a pressão dos lábios e a quantidade de ar você pode criar e controlar uma série de sons naturais, conhecidos como séria harmônica.

Com a evolução dos instrumentos de metal, foi possível preencher as lacunas desta séries harmônica, permitido a emissão de toda a escala cromática.

Série harmônica
 Série harmônica

Bocal

O timbre de um instrumento de metal depende muito da forma do bocal e do tubo do instrumento.

Bocal
Bocal
  • Um diâmetro maior do copo (cup) gera um som mais intenso,
  • Um diâmetro menor do copo (cup) gera um som menos intenso
  • Um copo (cup) mais profundo e um backbore maior resultam em um som mais escuro.
  • Um copo (cup) mais raso e um backbore menor resultam em um som mais claro.
Quatro bocais com copos do mesmo diâmetro, porém com formatos internos diferentes
Quatro bocais com copos do mesmo diâmetro, porém com formatos internos diferentes
  • A – Bocal de trompete antigo – som duro e áspero.
  • B – Bocal de trompete moderno – som redondo e intenso.
  • C – Bocal de corneta de pistões (cornet) – som suave (macio).
  • D – Bocal de trompa – som suave (macio) e escuro.

Formato do tubo

O tubo pode ser cilíndrico, um tubo cujo diâmetro é o mesmo do bocal até a campana. Resulta em um som claro e brilhante, como trompete e trombone.

Tubo cilíndrico
Tubo cilíndrico

O tubo pode ser cônico, um tubo cujo diâmetro aumenta do bocal até a campana. Resulta em um som denso e escuro como a rompa e tuba.

Tubo cônico
Tubo cônico

Importante ressaltar de que o timbre e a qualidade sonora do instrumento também dependem da espessura dos tubos e dos diferentes tipos de metais com os quais são construídos, latão, estanho, chumbo, cobre, bronze, prata e outros.

Referências

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Cabreúva, cidade da pinga

Por Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino

A partir da segunda metade do Século XIX, as extensas fazendas de cana-de-açúcar passaram a dividir suas terras com a lavoura cafeeira. A estrutura monocultora já existente no Quadrilátero do açúcar, propiciou ao Oeste paulista uma rápida organização e até substituição do açúcar pelo café na região.

No atual território que se oficializou como município de Cabreúva, a partir desse período, houve uma expansão de lavouras cafeeiras para a região Norte, nos atuais Bairros do Bonfim, Caí, Corcovado, Cururu e Pé do Morro, assim como o cultivo de ambos na extensa Fazenda Pinhal.

Com a chegada dos imigrantes na cidade e mais intensamente a partir do início do Século XX, a agricultura se diversificou, suplantando a produção açucareira: uvas, morango, hortaliças e flores foram modificando a paisagem que antes era a dos engenhos na proximidade do Rio Tietê.

Ao longo do Século XX, a cidade chegou a contar com mais de 40 fazendas e sítios com seus alambiques produtores da cachaça, como a Fazenda Figueira Branca, Caninha Cristal, Varginha, Pavaninha, entre outras. A cidade ganhou notoriedade na sua produção com a edição da 1° Festa da Pinga, que ocorreu em 1970 e depois teve uma 2° Edição em 1999.

Na pioneira região de povoamento cabreuvanos, nas colinas do Rio Tietê e Ribeirão Cabreúva, diversos engenhos persistiram, ao longo do Século XX, produzindo a famosa cachaça artesanal que rende fama à cidade atualmente. Hoje, dois alambiques ainda estão em funcionamento: Cachaça Vilela e Rainha da Praia.

Folheto histórico 1ª Festa da Pinga em 1970 (PDF)

Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino é Mestra em Ensino de História no IFCH/Unicamp, pós-graduada em gestão cultural: Cultura, desenvolvimento e mercado no Senac, graduada em História e autora de: A escravidão em Cabreúva no século XIX – 1830-1888 e atualmente professora efetiva da rede estadual paulista de ensino.

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A família Rebollo e a musicalidade cabreuvana

Por Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino

A família Rebollo é um exemplo da musicalidade como traço marcante da cultura cabreuvana. Atualmente, Roque Maurício Rebollo, mais conhecido como China, atua como músico na Banda São Roque, corporação da qual é diretor desde 1995.

A chegada da família à cidade deu-se em 1870, com Anthony Rebollo, que aqui estabeleceu-se com as novas gerações: o filho Benjamin Rebollo, e os netos Vicente e Roque Alfredo Rebollo. Vicente e Roque participaram da formação da Corporação Musical São Roque, em 1926.

Roque Alfredo Rebollo e Vicente Rebollo, fundadores da Banda São Roque
Roque Alfredo Rebollo e Vicente Rebollo, fundadores da Banda São Roque

Vicente foi o músico e maestro da banda por quarenta anos e faleceu no ano de 1973. Na família Rebollo, a música permeia o dia a dia, pois aqueles que não eram músicos, eram críticos e ajudavam o aprimoramento da musicalidade com suas observações e comentários, como fazia a matriarca, Madalena Rebollo.

Família Rebollo / Cabreúva
Sentada, está a Matriarca Madalena Rebollo, ladeada, à esquerda por Vicente Rebolo e à direita Agostinho Rebollo e Mercedes Rebollo abraçada ao tio avô Roque. Acompanham: Aparecida Rebollo, esposa de Vicente e as crianças, netas de Madalena. Da esquerda para a direita: Izildinha, Maria Madalena e Cecília Fátima – Acervo de Roque Maurício “China” Rebollo

Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino é Mestra em Ensino de História no IFCH/Unicamp, pós-graduada em gestão cultural: Cultura, desenvolvimento e mercado no Senac, graduada em História e autora de: A escravidão em Cabreúva no século XIX – 1830-1888 e atualmente professora efetiva da rede estadual paulista de ensino.

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Corporações Musicais Cabreuvanas

Por Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino

A cidade de Cabreúva tem sua musicalidade presente nas Bandas Marciais da Cidade que ao longo do tempo se apresentaram nos principais eventos municipais. As Corporações musicais representaram uma importante expressão de sociabilidade e cultura cabreuvanas, desde o Século XIX, atravessando o Século XX e chegando ao XXI, como um importante patrimônio cultural.

As duas principais Corporações musicais são: A Corporação São Benedito, atualmente com as atividades suspensas, mas da qual a Secretaria de Cultura possui o acervo de documentos, indumentária e instrumentos musicais expostos no museu.

Corporações Musicais Cabreuvanas
Fonte : Almanaque Laemmert de 1921

Já a Corporação Musical Banda São Roque, fundada em 26 de Fevereiro de 1926, quando as diferenças políticas na cidade acabaram por desanimar os músicos de uma antiga banda, a Orphelina Cabreuvana, e alguns músicos acabaram por constituir uma nova: “Corporação Musical Banda São Roque’’.

O nome foi escolhido para homenagear o santo, de grande fervor religioso entre os cabreuvanos da época.

Maria Daniela Bueno de Camargo Paulino é Mestra em Ensino de História no IFCH/Unicamp, pós-graduada em gestão cultural: Cultura, desenvolvimento e mercado no Senac, graduada em História e autora de: A escravidão em Cabreúva no século XIX – 1830-1888 e atualmente professora efetiva da rede estadual paulista de ensino.

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Giuseppe Filippa

Por Fábio Flatschart

A presença italiana em Cabreúva, assim como nas cidades vizinhas de Itu e Jundiaí, influenciou não apenas a agricultura, mas também o desenvolvimento do comércio e das primeiras indústrias, além de moldar a sua identidade cultural.

Rebollo, Faccioli, Spina, Laurini, Corazza, entre outras, são famílias que participaram (e participam) ativamente das atividades musicais cabreuvanas.

Por essa razão, não é de se estranhar que músicas de compositores italianos eram trazidas da Itália ou adaptadas localmente para a sua execução na cidade como por exemplo, uma cópia manuscrita de algumas partes de La Domenica (Domingo), Sinfonia do Maestro italiano Giuseppe Filippa (Savigliano, Cuneo, 1836 – Pesaro, 1905), pertencente ao acervo Corporação Musical São Roque.

Fonte : Archivio privato Marino Mondino; pubblicato da Il Saviglianese in data 18/04/2018 – centrodellamemoriasavigliano.it/giuseppe-filippa

Filippa foi diretor musical da banda da Guarda Nacional e professor de trompete, corneta e trombone na Escola de Música de Pesaro, também dirigiu a banda do 65º Regimento de Infantaria.

Sua produção musical foi extensa, incluindo “Pastorella”, uma brilhante sinfonia dedicada à Prefeitura de Savigliano, e “Il lavoro”, uma canção folclórica para coro, orquestra e banda em homenagem às Sociedades Operárias Italianas.

Seu trabalho continua sendo publicado e executado, com partituras disponíveis através de editoras de música especializadas, como a Edizioni Musicali Allemanda.